Guiada pelo vento, abro minhas asas em direção a um destino que ainda não conheço, mas intuo.
Hoje danço com a incerteza – não mais luto -, como se fôssemos velhas amigas. E somos. Tomamos chá às 17h e rimos do que não ocorreu como planejado.



Nos últimos anos, aprendi a deixar as janelas abertas para o vento frio entrar, junto das abelhas e das borboletas. E há duas formas de enxergar isso: como um problema ou como uma dádiva.
Eu escolhi a dádiva. Desde então, todo o acaso começou a ser bem-vindo. E desta forma, a vida começou a ser bem-vinda.
(Há sempre mais vida, mesmo quando não se espera.)





Hoje, a planejadora-racional-empresária que mora em mim, divide espaço com a mulher-sonhadora-artista que sempre fui. E isso, por si só, já é uma grande conquista. Elas se completam.
E neste momento, onde vivencio grandes mudanças – e o incerto anda de mãos dados com meus planos – quis criar uma representação visual de como me sinto.
Me pareceu muito adequado aproveitar uma das minhas vindas aos Alpes, para somar a minha assinatura fotográfica e minha futura morada.
Assim, nestas imagens, dois mundos se colidem – mas delicadamente – e criam o equilíbrio que me sustenta na ponta dos pés à beira do precipício das montanhas.
Passado e presente e futuro. Um pé no chão. O outro, no vento.





Estes autorretratos foram feitos na região de Amden, Suíça, em 26 de Abril de 2025.
Durante 3 horas me equilibrei com um disparador infravermelho, uma Canon R6, uma lente 50mm 1.2 e um tecido semi-transparente. Em silêncio, em conexão.
E espero que aí do outro lado, você possa sentir um pouco do significado que – tento – traduzir aqui.

