Guiada Pelo Vento | Autorretratos de uma Fotógrafa nos Alpes Suíços

Por Mariana Beltrame
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Guiada pelo vento, abro minhas asas em direção a um destino que ainda não conheço, mas intuo. 

Hoje danço com a incerteza – não mais luto -, como se fôssemos velhas amigas. E somos. Tomamos chá às 17h e rimos do que não ocorreu como planejado. 

Nos últimos anos, aprendi a deixar as janelas abertas para o vento frio entrar, junto das abelhas e das borboletas. E há duas formas de enxergar isso: como um problema ou como uma dádiva.

Eu escolhi a dádiva. Desde então, todo o acaso começou a ser bem-vindo. E desta forma, a vida começou a ser bem-vinda.

(Há sempre mais vida, mesmo quando não se espera.)

Hoje, a planejadora-racional-empresária que mora em mim, divide espaço com a mulher-sonhadora-artista que sempre fui. E isso, por si só, já é uma grande conquista. Elas se completam.

E neste momento, onde vivencio grandes mudanças – e o incerto anda de mãos dados com meus planos – quis criar uma representação visual de como me sinto.

Me pareceu muito adequado aproveitar uma das minhas vindas aos Alpes, para somar a minha assinatura fotográfica e minha futura morada.

Assim, nestas imagens, dois mundos se colidem – mas delicadamente – e criam o equilíbrio que me sustenta na ponta dos pés à beira do precipício das montanhas.

Passado e presente e futuro. Um pé no chão. O outro, no vento.

Estes autorretratos foram feitos na região de Amden, Suíça, em 26 de Abril de 2025.

Durante 3 horas me equilibrei com um disparador infravermelho, uma Canon R6, uma lente 50mm 1.2 e um tecido semi-transparente. Em silêncio, em conexão.

E espero que aí do outro lado, você possa sentir um pouco do significado que – tento – traduzir aqui.

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