Como fotógrafa, olhar para novas paisagens é sempre um deleite. E especialmente para mim, a cada nova viagem à Itália, sinto que reorganizo em meu interno minha compreensão da beleza. Quando acho que não serei mais surpreendida, me engano. Sempre volto de lá como que suspensa no tempo.



Recentemente me casei, e para nossa viagem de lua de mel escolhemos visitar a Lago de Como, que fica na região da Lombardia. O nosso casamento civil ocorreu em Zurique, na Suíça, então seriam apenas 3 horas de trem. Um detalhe importante, pois não detínhamos tantos dias disponíveis para viajar, infelizmente.
Após nosso retorno, sinto que ficar na cidade de Como foi uma ótima escolha. Muito confortável para andar e relativamente pequena para se locomover. Mas o suficientemente profunda para se perder na luz do outono, no movimento da água ao navegar pelos lagos, nas ruas charmosas e na sua bonita mistura de construção italiana com clima e paisagem alpinos.






Além disso, a partir da cidade de Como você pode visitar algumas outras pequenas vilas e cidades há minutos ou poucas horas de distância. Todas elas construídas à beira do Lago de Como. Um complexo que, mesmo pequeno, te propõe uma imensidão ao velejar por suas águas e observar a luz outonal atravessando a fina neblina.
Neste post, tentarei narrar a delicadeza e a beleza que senti (e sentimos) ao longo dos quatro dias que estivemos por lá.


Hospedagem – Cidade de Como
Escolhemos nos hospedar na Casa Gentile, instalada em uma charmosa construção tradicional italiana, onde fomos recebidos com muito carinho pela Lídia, que cuida de cada detalhe, e por seu marido Teo.
O café da manhã foi um espetáculo à parte! Croissants, muffins e capuccinos deliciosos todos os dias. (La dolce vita, finalmente! haha). Além da recepção excepcional dos nossos anfitriões, que nos mimaram bastante.
Na Casa Gentile, estávamos há passos de distância do centro histórico e do lago. O que foi incrível para flanar pela cidade, já que não tínhamos roteiro e escolhemos ir com o flow, vivenciando a cidade de verdade ao invés de consumi-la.









Slow Travel e Tempo para Flanar
Eu e meu marido somos adeptos do slow travel. Nesta viagem, além da ausência de roteiro, nos deixamos levar pelo que o destino nos apresentou a cada esquina e a cada conversa com pessoas que conhecemos em Como.
Tínhamos pesquisado apenas o básico antes de ir, mas deixamos o coração aberto ao chegar lá.






Ultimamente tenho sentido que viajar assim deixa a vida mais interessante. E tira o peso da expectativa de ter “a viagem perfeita” e “a foto perfeita no lugar perfeito”.
Acredito que o turismo predatório tirou da gente a capacidade de encantamento e a habilidade de viver experiências sem precisar modelá-las pelo que vimos nas redes sociais. Então, ao escolher viajar assim, você experimenta a cidade de um jeito único, novo e seu.
O que mais gostamos em Como
Como uma apaixonada por água, passear de barco foi um must do. A sensação de imensidão estando dentro do lago e observando as comunas que se formaram ao longo da costa foi indescritível.
Já mencionei a luz do outono inúmeras vezes, mas vale reforçar que ela estava ainda mais especial refletida na água.









Amamos também experimentar o funicolare. Um pequeno trem, quase vertical, que te leva para Brunate, um bairro no topo da montanha de Como. Lá pudemos apreciar a cidade de Como vista cima e assistir a um lindo pôr-do-sol.






Nossos restaurantes favoritos em Como foram: L’Antica Trattoria (wagyu maravilhoso e inúmeras vezes no Guia Michelin), Bottega Comicini (os pratos são absurdamente bem servidos) e Restaurant Sociale (melhor carbonara que já comi). Quantos às cafeterias, sentamos em tantas que não consegui lembrar os nomes, hahaha.






Moltrasio e Cernobbio
Como dois flaneurs, andamos curiosamente pela cidade de Como, e visitamos também duas pequeníssimas cidades próximas: Moltrasio e Cernobbio.
Não havíamos escolhido quais locais visitar antes, então fomos naturalmente para onde tinha menos fluxo turístico.

Para Moltrasio fomos de barco, em uma viagem de aproximadamente 30 minutos. Moltrasio é uma comuna que fica literalmente na encosta da montanha e de frente para o Lago de Como. Bem pequena (menos de 2 mil habitantes) mas extremamente charmosa.









Aqui destaco a gentileza dos locais, a brisa alpina deliciosa que pode ser sentida pela cidade e a belíssima cachoeira que corta a cidade.
Comemos em dois locais diferentes. Primeiro almoçamos no restaurante La Baia de Moltrasio, onde pedi um prato com camarões vermelhos extremamente frescos e delicados. Depois tomamos café e sobremesa no Bar Al Centrale, onde provamos o melhor tiramisú da viagem e um cheesecake de forno divino. (Já pode voltar?)






O último lugar que passamos em Moltrasio, foi o cemitério para ver o monumento erguido em homenagem aos mortos na guerra. Fomos abordados por uma simpática senhorinha que me contou (em italiano) que seu avô era um dos homenageados pelo monumento e que havia deixado sua avô viúva muito jovem. Compreendi toda a história, embora só consiga responder com algumas palavras do meu parco italiano, rs.
Já para Cernobbio, em outro dia, pegamos um ônibus no centro de Como, que nos levou em 20 minutos. Em Cernobbio visitamos o museu Villa Bernasconi, onde se conta a história de desenvolvimento econômico daquela região, forte produtora de têxteis. E logo após, na rua de trás do museu, encontramos um típico e popular restaurante italiano servindo “pranzo di lavoro” (que significa literalmente almoço de trabalho, mas pode ser traduzido como um prato feito para nós brasileiros).
Neste dia, toda a região estava chuvosa e embaixo de uma forte neblina. O que para mim, deixou tudo com um ar esteticamente melancólico e especial nas fotos.






Ambas as cidades, foram lugares onde pudemos ter mais contato com o modo de vida real das pessoas desta região. E acredito que isso enriqueceu muito nossa experiência em Lago de Como.
Tempo off e Registros Fotográficos
Nesses dias de viagem, também escolhi ficar off do celular. Então registrei tudo com minha câmera de bolso, a Fuji Film X100VI.
Além do descanso mental, percebi que assim pude pensar melhor os registros e olhar mais com meus olhos de fotógrafa – algo que não sinto tanto ao registrar com o celular. Foi também um exercício criativo para mim.
Assim, espero que vocês curtam as imagens deste post, tanto quanto eu curti fazê-las, sendo inspirada em cada momento pela luz bela e gentil do outono.
Até a próxima viagem!
